O renomado escultor baiano Bel Borba publicou em seu perfil no Instagram um vídeo apresentando a escultura em metal que produziu especialmente para a cidade de Uauá. Segundo o artista, a obra é um presente para o povo vaga-lume em comemoração ao Centenário de emancipação política do município, celebrado em 2026.
Bel Borba é um dos mais importantes artistas brasileiros da contemporaneidade. Reconhecido nacional e internacionalmente, suas esculturas, mosaicos e intervenções urbanas transformaram espaços públicos, especialmente em Salvador, onde seu trabalho se tornou parte da identidade visual da capital baiana. Conhecido por muitos como o “Picasso do povo”, suas obras despertam a atenção da crítica especializada e de visitantes de diversas partes do mundo.
A escultura destinada a Uauá representa um bode, símbolo maior da cidade. Produzida em metal e construída a partir de chapas e recortes que formam uma estrutura leve e dinâmica, a obra dialoga com a arte contemporânea e com a identidade sertaneja. Não se trata apenas de uma representação animal, mas de um monumento que homenageia a história, a cultura e a vocação econômica do município.
O gesto de Bel Borba possui um significado especial. Durante uma de suas visitas a Uauá, por ocasião da Festa Literária de Uauá (FLIU), o artista colocou-se à disposição para criar um símbolo artístico permanente para a cidade. Agora, às vésperas do Centenário, essa promessa ganha forma através de uma escultura que simboliza aquele que é o maior representante da Capital do Bode: o próprio bode.
A iniciativa também traz à tona uma reflexão importante. Embora Uauá seja reconhecida em toda a Bahia e em diversas regiões do Brasil como a Capital do Bode, ao longo de sua história o município nunca recebeu das autoridades públicas um investimento significativo na construção de monumentos ou marcos urbanos que afirmassem visualmente essa identidade no espaço público.
Enquanto diversas cidades brasileiras utilizam esculturas e monumentos para reforçar seus símbolos culturais e fortalecer o turismo, Uauá, paradoxalmente, permaneceu por décadas sem um monumento à altura da importância que a caprinocultura possui em sua formação econômica, social e cultural.
O bode não é apenas um animal para os uauaenses. Ele representa resistência, adaptação ao semiárido, geração de renda, tradição familiar e pertencimento. Sua presença está na culinária, nas feiras, na economia rural, nos eventos culturais e na própria imagem pela qual o município é conhecido em todo o estado.
Nesse contexto, a escultura de Bel Borba assume uma dimensão que ultrapassa o valor artístico. Ela representa um reconhecimento da identidade local e um convite para que a cidade valorize ainda mais aquilo que a torna única. Receber uma obra assinada por um artista de projeção internacional significa inserir Uauá no mapa da arte pública contemporânea e deixar para as futuras gerações um legado cultural permanente.
Mais do que um presente para o Centenário, a escultura do bode é uma homenagem à alma sertaneja de Uauá. É o encontro entre a arte e a identidade de um povo que, há cem anos, constrói sua história sob o signo da resistência, da criatividade e da convivência com a Caatinga.
Que este monumento se torne não somente uma obra de arte, mas um símbolo de orgulho para todos os uauaenses e uma referência para quem chega à Capital do Bode e deseja compreender a essência de sua gente.
Da redação
Robson Rodrigues
Foto: Reprodução Bel Borba
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