Na fotografia publicada pela Folha de São Paulo, na década de 1980, aparecem Dom Basílio Gomes Gonçalves, seu irmão Panchinha e Mamédio, do Sítio do Feliciano. Ao fundo, na parede simples de adobe, os cartazes da campanha política de Pedro Ribeiro para prefeito e Pedro Peixinho para vereador revelam o clima de efervescência partidária que atravessava Uauá naquele período.

Mas as mudanças mais profundas iam muito além da disputa eleitoral. Uauá vivia uma intensa transformação social, cultural e fundiária. O Movimento Popular Histórico de Canudos, juntamente com a CPT, as associações agropastoris e os movimentos camponeses, ajudava a reorganizar o sertão e a despertar uma nova consciência política e social entre os trabalhadores rurais. Era também o tempo de surgimento e fortalecimento de novas siglas partidárias, como o PT e o PCdoB, em meio ao processo de redemocratização do Brasil após os anos da ditadura militar.

Homens como os retratados nessa fotografia participaram diretamente das lutas que garantiram a integridade territorial das propriedades rurais das comunidades sertanejas. Foram fundamentais na defesa dos descendentes dos povos originários, dos povos escravizados e dos vaqueiros herdeiros das antigas terras dos latifúndios da Casa da Torre de Garcia d’Ávila.

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Daquele contexto nasceram os primeiros fundos de pasto, as primeiras associações agropastoris e uma nova organização popular no sertão de Uauá. Enquanto Pedro Ribeiro mobilizava o campo político em busca da prefeitura, o povo sertanejo construía, silenciosamente, uma revolução social baseada na resistência, na terra e na identidade coletiva.

A geração representada nessa fotografia deixou marcas profundas e conquistas históricas para Uauá. Fez jus ao espírito rebelde e resiliente do povo da Terra dos Vagalumes, ajudando a moldar um novo tempo para o sertão baiano.

Da redação
Robson Rodrigues
@robson_uaua
Whatsapp: 74 998280883
Foto: jornal Folha de São Paulo
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