Na manhã de 18 de julho de 2026, eu e minha família, com o apoio do professor Antônio Ferdim, realizamos mais uma expedição sertão adentro, desbravando as riquezas naturais da Caatinga. Desta vez, nosso destino foi o Serrote do Gato, uma impressionante formação rochosa que tem início a cerca de três quilômetros do distrito de Lagoa do Pires, estendendo-se no sentido norte-sul até integrar o conglomerado de serras da Serra do Sobrado.

a cabrinha Pançuda

O Serrote do Gato é composto por cinco grandes afloramentos graníticos. Nesta expedição visitamos os dois últimos, sentido Lagoa do Pires à Uauá, onde registramos a fauna, a flora e os aspectos geomorfológicos que fazem desse lugar um verdadeiro monumento natural. Predominam na região rochas como granitos, gnaisses e migmatitos. Os granitos, ricos em feldspato, exibem uma rara e belíssima coloração que varia do rosado ao salmão, conferindo à paisagem uma identidade singular.

Do alto das lajes graníticas é possível contemplar uma vista exuberante da Caatinga, abrangendo a vasta planície entre Uauá e Lagoa do Pires. Cercados por alecrins-da-caatinga, quebra-facão e paus-de-pedra, caminhamos acompanhados pelo canto harmonioso de sofrês, Joãos de barro, cardeais, gibãos-de-couro, e tico-ticos, enquanto éramos observados, do alto dos céus, por falcões, acauãs, quiriquiris e carijós.

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Foi uma manhã de descobertas e encantamentos, na qual nossos olhos se encheram daquilo que a Caatinga possui de mais extraordinário. A cada passo, revelavam-se as fortalezas resilientes das cactáceas, das bromélias, dos líquens e de tantos outros organismos que, aparentemente imóveis, desafiam as adversidades do semiárido. São seres que recebem, diariamente, o precioso orvalho das madrugadas, armazenando a umidade necessária para sobreviver aos longos meses de estiagem.

Para muitas pessoas parece incompreensível que a vida possa surgir em uma fissura de apenas alguns milímetros sobre uma rocha. Entretanto, a natureza sempre encontra um caminho. Para ela, o tamanho da oportunidade pouco importa. Um melocactus, por exemplo, necessita de apenas dois milímetros de uma fenda no granito para desenvolver seu organismo. Com o tempo, suas raízes exercem uma força silenciosa e contínua, contribuindo para ampliar as fissuras da rocha e demonstrando que até a pedra mais resistente se transforma diante da persistência da vida.

Como expressão desse delicado equilíbrio ecológico, um beija-vermelho pousa sobre um cabeça-de-frade e, com seu fino bico em forma de agulha, sorve delicadamente o néctar de suas pequenas flores, como se beijasse os lábios doces daquele cacto. Ambos, ave e planta, compartilham uma mesma história evolutiva de adaptação às rochas graníticas do sertão, mostrando que a sobrevivência na Caatinga é fruto de uma profunda relação entre todos os seus habitantes.

No próximo capítulo de nossas expedições, conheceremos o Serrote do Saco do Boi, outra impressionante formação pertencente ao conjunto de serras da Serra do Sobrado, nos arredores de Lagoa do Pires.

Por fim, deixo meu sincero agradecimento ao professor Antônio Ferdim, à sua família e aos seus amigos, que nos receberam com tanta hospitalidade e generosidade. Muito obrigado por compartilharem conosco uma manhã inesquecível, repleta de conhecimento, amizade e profundo respeito pela natureza da nossa Caatinga.

Da redação
Robson Rodrigues