Estamos chegando ao final do mês de agosto e a realidade no interior de Uauá é preocupante: grande parte dos barreiros, tanques e pequenas aguadas do município está vazia, assoreado ou completamente tomada por sedimentos.

Na comunidade de Campo Alegre, por exemplo, existe um tanque que foi limpo pela própria comunidade em 2018. De lá para cá, foram inúmeras as solicitações feitas à Prefeitura Municipal de Uauá para que o equipamento recebesse novamente a manutenção necessária. Até hoje, porém, a limpeza não aconteceu.

Cansados de esperar, moradores da comunidade se mobilizaram, arrecadaram recursos por meio da Associação Comunitária e procuraram a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado (SDR). Na ocasião, fomos recebidos pelo secretário responsável, que nos informou que não poderia disponibilizar horas-máquinas diretamente para a associação, pois, segundo ele, o Estado já havia destinado horas-máquinas à Prefeitura de Uauá para a limpeza de aguadas.

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Voltamos para Uauá e novamente solicitamos ao município a realização do serviço. Mais uma vez, nada aconteceu.

Posteriormente, em entrevista ao programa Hora do Bode, o vice-prefeito de Uauá afirmou que o Estado não havia repassado máquinas ao município para a limpeza das aguadas.

Diante dessas duas versões, fica uma pergunta simples, mas que precisa ser respondida:

Quem está faltando com a verdade: o Estado ou a Prefeitura de Uauá?

Se houve, de fato, a destinação de horas-máquinas para o município, onde estão essas máquinas? Quantas horas foram destinadas? Quando foram utilizadas? Quais comunidades foram atendidas? E, principalmente, onde estão os registros e a prestação de contas desse serviço?

Não estamos falando de uma questão secundária. No sertão, depois da saúde, a água é um dos bens mais preciosos para a população.

Uauá possui centenas de pequenas aguadas, barreiros, tanques e barragens que são fundamentais para a sobrevivência das comunidades rurais. Muitos desses reservatórios estão assoreados e perderam boa parte de sua capacidade de armazenamento justamente por falta de manutenção ao longo dos anos.

E o problema se torna ainda mais grave diante das incertezas climáticas que enfrentamos. Enquanto o sertanejo se prepara para mais um período de chuvas incertas, muitos dos reservatórios que poderiam armazenar água continuam sem condições adequadas de receber e conservar esse recurso.

Também estamos às vésperas de uma nova eleição para deputados, senadores e governador. É justamente neste momento que precisamos perguntar aos nossos representantes: qual sertão está sendo construído para o povo?

Ao governador Jerônimo Rodrigues, faço uma pergunta direta, na condição de sertanejo e cidadão de Uauá:

Governador, é esse o tratamento que o povo do sertão merece?

Se existem recursos e horas-máquinas destinados à limpeza das aguadas, por que tantas comunidades continuam esperando?

Se o Estado afirma que repassou as máquinas ao município e o município afirma que não recebeu, quem está dizendo a verdade?

E se ninguém recebeu ou executou o serviço, onde foi parar o recurso destinado à manutenção das aguadas?

Não queremos promessa. Não queremos discurso de campanha. Queremos transparência.

Queremos saber quantas horas-máquinas foram destinadas a Uauá, quanto foi gasto, quais comunidades foram beneficiadas e por que tantas outras continuam abandonadas.

A água que hoje falta nos tanques poderá fazer muita falta amanhã para as famílias, para os animais e para toda a população rural.

O sertanejo não pede luxo. Pede o básico: que o poder público faça a sua parte para garantir que, quando a chuva chegar, exista onde armazenar a água.

Governador Jerônimo Rodrigues, Prefeitura de Uauá: afinal, onde estão as horas-máquinas para a limpeza das aguadas?

O povo do sertão merece uma resposta.

 

Da Redação

Robson Rodrigues