O mês de junho chegou a Uauá com uma paisagem diferente daquela que tradicionalmente marca este período do ano. Em vez das bandeirolas coloridas balançando ao vento e anunciando os festejos juninos, as ruas da cidade foram ocupadas por professores da rede municipal de ensino que iniciaram uma greve por tempo indeterminado em protesto contra descontos realizados em vantagens salariais pela gestão do prefeito Marcos Lobo.

A paralisação foi aprovada por unanimidade durante assembleia realizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindesmu) e pela Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB). Na manhã desta terça-feira, 2 de junho de 2026, teve início uma nova etapa da mobilização da categoria, que busca a reparação e a devolução dos valores descontados dos vencimentos dos profissionais da educação.

Após concentração na Praça São João Batista, em frente à Câmara Municipal de Vereadores, os professores percorreram as principais ruas da cidade em caminhada pacífica. O grupo fez uma parada na Praça Ademar Rodrigues Guimarães, onde diversos representantes da categoria utilizaram o microfone para defender seus direitos e expor suas reivindicações.

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Durante sua fala, a professora Elisângela recitou um trecho do poeta Mário Quintana, estabelecendo uma relação entre a luta dos educadores e a persistência diante das adversidades:

“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!”

Segundo a educadora, os professores não chegaram às escolas por acaso, mas conquistaram seus espaços por meio de concursos públicos e anos de dedicação aos estudos e à formação profissional.

Após o ato na praça comercial, os manifestantes seguiram novamente para a Praça São João Batista e, em seguida, instalaram um acampamento em frente à Prefeitura Municipal de Uauá, onde pretendem permanecer durante o movimento grevista.

De acordo com Francisco Tavares, presidente da APLB, a greve foi convocada por tempo indeterminado. No entanto, ele afirmou que a paralisação poderá ser encerrada assim que a administração municipal abrir um processo de negociação e assumir o compromisso de devolver os recursos retirados das vantagens salariais dos profissionais da educação.

Para João Nelson, presidente do Sindesmu, a categoria precisa permanecer unida para garantir a preservação dos direitos e das conquistas obtidas ao longo dos anos. Durante seu pronunciamento, ele criticou a posição atual da Procuradoria do Município, afirmando que o mesmo procurador que hoje se manifesta contrário às vantagens dos servidores teria se posicionado favoravelmente à legislação que as assegura durante a gestão do irmão do atual prefeito o ex-prefeito Jorge Lobo.

Tradicionalmente marcado pelas festas, pela cultura popular e pelo reencontro das famílias, o mês de junho em Uauá ganha neste ano um cenário de preocupação. Ao cancelamento dos festejos juninos e às dificuldades enfrentadas pela saúde municipal soma-se agora a paralisação da rede de ensino, deixando milhares de estudantes sem aulas e ampliando o sentimento de inquietação entre a população.

Nos próximos dias, nosso canal continuará acompanhando os desdobramentos do movimento grevista, ouvindo todas as partes envolvidas e trazendo novas informações aos leitores e seguidores do portal robsonuaua.com.

Da redação
Robson Rodrigues

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