A década de 1960 marcou uma profunda transformação na música brasileira. O país vivia o entusiasmo da Jovem Guarda, do rock, das guitarras elétricas e das bandas de baile. Os sons que chegavam pelos rádios rapidamente despertavam o interesse da juventude sertaneja.
Uauá não permaneceu indiferente a essa mudança.
Sem abandonar a tradição dos sanfoneiros, dos pífanos e das serenatas, os jovens passaram a sonhar com guitarras, baterias, contrabaixos e amplificadores. Surgia, assim, uma nova fase da música uauaense.
Os Pirilampos
Por volta de 1967, foi criado um dos conjuntos mais importantes da história musical do município: Os Pirilampos.
Inspirado pelo movimento da Jovem Guarda, o grupo tornou-se símbolo de uma geração que descobria novas sonoridades e novas formas de fazer música.
Sua formação original reunia Pedro Arsênio Peixinho Guimarães, como crooner; José Alves da Silva (Zé de Alto), na guitarra; Nandinho de Dina, no violão; Tarcísio Guimarães de Andrade, na bateria; e Ubiratan Silveira (Bira), nos maracás.
As apresentações aconteciam principalmente no tradicional Clube de Waltércio, ponto de encontro da juventude uauaense, onde bailes e festas reuniam pessoas de toda a região.
Posteriormente, com a mudança de Tarcísio Guimarães para Juazeiro, onde foi estudar, a bateria passou a ser executada por José Tarcísio da Silva Cardoso, o Tarcisinho de Teodora, que deu continuidade ao trabalho do conjunto.
Outro importante colaborador foi José Armando Lobo Monteiro, conhecido como Mandinho de Seu Armando, grande incentivador da infraestrutura da banda e responsável por apoiar seu funcionamento.
Nas épocas de férias, quando retornavam de São Paulo, Arnaldo Silva Ribeiro (Corró) e Nilson Rodrigues (Nilson de Jeremias) também integravam o grupo, enriquecendo ainda mais suas apresentações.
Os Pirilampos tornaram-se uma referência para a juventude da época, abrindo caminho para o surgimento de novos músicos e novos conjuntos.
Novas Bandas e Novos Talentos
O entusiasmo despertado pelos Pirilampos estimulou o aparecimento de outros grupos musicais.
Entre eles destacou-se o conjunto formado pelos irmãos Lúcio Ribeiro, conhecido como Kel, e Carlinhos, que, após retornarem de São Paulo, passaram a realizar frequentes apresentações na tradicional Boate Pirilampos, espaço que se tornaria um dos principais palcos da música dançante em Uauá.
Também vindos de São Paulo, músicos como Peuli, Neguinho de Alzira e João de Eurides participaram da formação de outro conjunto musical que marcou seu tempo. Embora muitos detalhes dessa história permaneçam preservados apenas na memória de seus integrantes, sua contribuição representa um importante capítulo da evolução musical do município.
Outra formação de destaque reuniu Joanito, Jucemar e Nenenzinho Bala, filhos de Dona Betinha, demonstrando que a tradição musical continuava sendo transmitida entre as famílias uauaenses.
Ao mesmo tempo, novos instrumentistas ganhavam reconhecimento, entre eles Valfredinho de Pé Queimado, Zé Guará, Zé do Juá, João Potó e João de Adhemar.
Dessa geração nasceu o conjunto Líderes do Ritmo, coordenado por Ranulfo Mendes (Veinho). A banda consolidou-se como uma das principais referências musicais da cidade e revelou diversos artistas que mais tarde continuariam contribuindo para a cultura local.
A Banda Canudos
Foi justamente a partir dessa efervescência musical que surgiu a Banda Canudos.
Movido pela paixão pela música e pelo desejo de fortalecer os artistas locais, Pedro Arsênio Peixinho Guimarães adquiriu a aparelhagem de som utilizada pelos Líderes do Ritmo, bem como o veículo que transportava o grupo — uma Veraneio — estruturando um novo projeto musical.
A Banda Canudos reuniu músicos de grande talento, tornando-se uma das formações mais conhecidas da região.
Sua formação contava com Marcos Canudos, como cantor; Valdelice Marques, nos vocais; Nenenzinho, no contrabaixo; Joãozinho de Adhemar, executando guitarra, viola, cavaquinho e bandolim; João Energia, na guitarra, viola e violão; Zé do Juá na bateria, e João Potó, na percussão.
Ao longo dos anos, a Banda Canudos participou de festas populares, eventos culturais e celebrações religiosas, consolidando-se como uma importante representante da música uauaense.
Uma Nova Identidade Musical
A chegada dos conjuntos musicais representou muito mais do que uma simples mudança de instrumentos.
Ela simbolizou o encontro entre a tradição sertaneja e as transformações culturais que ocorriam em todo o Brasil.
As sanfonas continuavam presentes, mas agora dividiam espaço com guitarras elétricas, baterias, teclados e modernos sistemas de amplificação.
Os bailes tornaram-se grandes acontecimentos sociais. Os clubes passaram a reunir centenas de jovens, e a música tornou-se uma das principais formas de integração entre as diversas gerações da cidade.
Ao mesmo tempo, a influência dos mestres populares permanecia viva.
Os músicos da nova geração aprenderam com os antigos sanfoneiros, participaram das festas religiosas, acompanharam as alvoradas e cresceram ouvindo as composições de Cavachão e de tantos outros artistas que construíram a identidade musical de Uauá.
Foi dessa convivência harmoniosa entre tradição e modernidade que nasceu uma das fases mais criativas da história musical do município, preparando o caminho para outro importante movimento cultural: o fortalecimento do carnaval, dos trios elétricos e das grandes fanfarras que marcariam as décadas seguintes.
Fique ligado, que no próximo capítulo tem muito mais.
Da redação
Robson Rodrigues
Pedro Peixinho
Gildemar Sena

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