Visita técnica acompanhou poços, sistema de aplicação de cloro e flúor e trecho da adutora que leva água para Uauá e Canudos
Uma comitiva formada pelo vice-presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Robson Rodrigues; pelo presidente do Conselho Municipal de Saúde, Benefícios Reis; e por integrantes do Conselho Social da Embasa, formado para acompanhar a execução e os impactos da obra da adutora que leva água de Canudos para Uauá, esteve na manhã desta terça-feira (15) no município de Canudos, onde realizou uma visita técnica ao sistema de captação e tratamento de água utilizado para abastecer as duas cidades.
O grupo chegou ao local por volta das 9h e foi recebido por representantes da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). A visita fez parte das atividades de acompanhamento desenvolvidas pelo conselho, que, embora tenha sido constituído tardiamente em relação ao andamento da obra da adutora, permanecerá em atividade no município até o final deste ano.
Durante a visita, os integrantes do conselho conheceram os dois poços que integram o sistema de captação de água em Canudos. De acordo com informações apresentadas durante a atividade, juntos, os dois poços possuem capacidade de aproximadamente 240 mil litros de água por hora.
A comitiva também conheceu o chamado Poço 2, que, segundo informações apresentadas pela equipe da Embasa, possui vazão média de aproximadamente 61 litros por segundo. No local, foram observadas as estruturas responsáveis pela captação e pelo encaminhamento da água para o sistema de abastecimento.
Sistema realiza cloração e fluoretação da água
Um dos pontos observados durante a visita foram as salas onde são realizados os procedimentos de cloração e fluoretação da água antes que ela seja encaminhada para o abastecimento.
Segundo o diretor local da Embasa, Gustavo, apesar de a estrutura estar identificada como ETA – Estação de Tratamento de Água, tecnicamente o local não seria considerado uma estação de tratamento convencional, uma vez que, conforme explicado durante a visita, o sistema realiza essencialmente a aplicação de cloro e flúor na água captada dos poços.
Após a captação, a água é encaminhada para um reservatório com capacidade de aproximadamente 300 mil litros. É nesse sistema que ocorre a cloração, antes do bombeamento da água através da adutora em direção aos municípios de Uauá e Canudos.
A visita permitiu aos integrantes do conselho conhecer parte da estrutura responsável por levar água subterrânea de Canudos até Uauá, possibilitando uma visão mais concreta de uma obra que, embora já tenha sido concluída, continua sendo objeto de acompanhamento por parte do Conselho Social.
Visita também passou por trecho da adutora
Além dos poços e da estrutura de captação e tratamento, a comitiva realizou uma breve parada, de aproximadamente 15 minutos, na região da comunidade de Caratacá, onde foi apresentada uma das estruturas da adutora construída para atravessar o leito do riacho do Caratacá, também conhecido como riacho do Tigre.
Segundo as informações apresentadas durante a visita, existem quatro passagens elevadas da adutora sobre leitos de riachos ao longo do sistema.
A estrutura observada em Caratacá faz parte do conjunto de obras necessárias para permitir que a tubulação atravesse áreas de drenagem e cursos naturais de água, mantendo a continuidade do sistema de abastecimento entre Canudos e Uauá.
Qualidade da água não foi apresentada durante a visita
Apesar da importância da visita técnica, um dos pontos que chamou a atenção foi a ausência de documentos referentes às análises laboratoriais da água durante a atividade.
Não foram apresentados aos integrantes do conselho, no momento da visita, laudos ou documentos que permitissem verificar os resultados das análises físico-químicas e microbiológicas da água captada nos poços e posteriormente encaminhada para o abastecimento.
Segundo o funcionário da Embasa que acompanhou a visita, as amostras coletadas no sistema são encaminhadas para Senhor do Bonfim, onde seriam realizadas as análises. Entretanto, durante a visita, os integrantes do conselho não tiveram acesso aos respectivos resultados nem a informações detalhadas sobre os parâmetros analisados.
Dessa forma, embora tenha sido possível conhecer fisicamente as estruturas de captação, reservação, cloração e bombeamento, a visita não permitiu verificar documentalmente a qualidade da água que está sendo enviada para a população de Uauá e Canudos.
Próximo passo será buscar informações técnicas
A visita realizada em Canudos representa uma primeira etapa de acompanhamento mais aprofundado do sistema de abastecimento. O conhecimento das estruturas físicas é importante, mas, para uma avaliação efetiva da qualidade da água, será necessário também ter acesso aos laudos laboratoriais, parâmetros analisados, datas das coletas e resultados obtidos.
A água destinada ao consumo humano precisa ser acompanhada desde a sua captação até a chegada às torneiras da população. Por isso, além de conhecer os poços e o sistema de tratamento, o conselho deverá buscar informações sobre a qualidade da água, os procedimentos de controle e o monitoramento realizado ao longo da rede de distribuição.
A intenção é que o acompanhamento não se limite à obra da adutora, mas contribua também para garantir transparência, controle social e segurança no abastecimento de água da população de Uauá.
A visita desta terça-feira permitiu conhecer de perto a origem da água que chega ao município. O próximo passo, porém, é conhecer os números: o que dizem as análises laboratoriais sobre a água que está sendo captada, tratada e enviada para a população?
Nosso portal está organizando uma viagem a Senhor do Bonfim, onde entraremos em contato com os responsáveis técnicos para solicitar acesso às análises da água e buscar os esclarecimentos devidos à população.
Da redação
Robson Rodrigues


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