Em meio à Copa do Mundo, na última quarta-feira, 24 de junho, enquanto milhões de pessoas sorriam, torciam e cantavam os hinos de seus clubes e de suas nações, a Venezuela era atingida por um dos terremotos mais letais de sua história recente.

 

Cidades do litoral venezuelano foram devastadas pelo abalo sísmico, provocado pelo encontro entre a Placa Sul-Americana e a Placa do Caribe. A Venezuela está situada justamente na área de contato entre essas duas placas tectônicas, uma região geologicamente propícia à ocorrência de tremores de grande magnitude.

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Mais do que sua localização geográfica, o país também convive com um processo de intensa ocupação das regiões litorâneas nas últimas décadas. Desde a década de 1960, não se registrava uma tragédia natural dessa dimensão. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas estejam desaparecidas sob os escombros. Até o momento, aproximadamente 1.700 mortes foram confirmadas, enquanto centenas de pessoas já foram resgatadas com vida.

 

Além dos graves problemas sociais, econômicos e políticos enfrentados pela Venezuela nas últimas décadas, um desastre natural dessa magnitude abala ainda mais as estruturas do país e aprofunda o sofrimento de sua população. A todo instante, acompanhamos nos noticiários manifestações de apoio de diversos países e blocos econômicos, que anunciam doações e aportes financeiros para auxiliar na reconstrução das cidades atingidas.

 

Por outro lado, também observamos, especialmente nas redes sociais brasileiras, manifestações de indiferença diante da tragédia, muitas vezes condicionadas por ideologias e posicionamentos políticos. Diante disso, o que primeiro me vem à mente é um sentimento de tristeza e desolação.

 

Sabemos que os problemas que atingem a Venezuela — sejam eles de natureza política, econômica ou decorrentes de tensões internacionais e conflitos internos — tornam o povo venezuelano ainda mais vulnerável em momentos como este. Enquanto sul-americano, considero os venezuelanos nossos irmãos e acredito que o mínimo que podemos oferecer é nossa solidariedade.

 

O Brasil tem a obrigação moral de ajudar esse país irmão, não apenas por possuir melhores condições econômicas, mas também em reconhecimento aos gestos de solidariedade que os venezuelanos demonstraram em momentos difíceis. Durante a crise sanitária enfrentada pelo Brasil, especialmente no episódio da falta de oxigênio em Manaus, a Venezuela contribuiu dentro de suas limitações para socorrer vidas brasileiras. Aquele gesto demonstrou que grandeza não se mede pelo tamanho da economia, mas pela capacidade de agir com humanidade. A solidariedade não precisa de milhões; ela precisa de atitude.

 

Não podemos ser indiferentes às tragédias que atingem qualquer povo do planeta. Pelo contrário, cada país, dentro de suas possibilidades, deve contribuir para amenizar o sofrimento humano e ajudar a restabelecer a esperança diante da dor.

 

E é nesse contraste que o mundo segue assistindo aos jogos da Copa do Mundo, celebrando vitórias e derrotas esportivas, enquanto, em outro canto do continente, milhares de famílias venezuelanas vivem horas de angústia, luto e incerteza. Que possamos, ao menos por alguns instantes de nosso dia, olhar para além do espetáculo esportivo e dedicar nossa solidariedade ao povo venezuelano, que hoje enfrenta um dos momentos mais dolorosos de sua história recente.

Da redação

Robson Rodrigues

📷Foto: Maryorin Mendez/AFP

📩Email: robson.ablacc@gmail.com

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