Antes de qualquer manifestação cultural, musical ou poética, ao falarmos da música no sertão, é necessário voltar o olhar para o próprio nome de nossa cidade: Uauá.

Para a maioria das pessoas, Uauá significa “terra dos vagalumes” ou “pirilampo”. Segundo alguns pesquisadores, como Teodoro Sampaio, na sua obra: “O Tupi na Geografia Nacional” a palavra seria de origem tupi. Entretanto, ao aprofundarmos a pesquisa, percebemos que o nome Uauá, assim como tantas outras palavras presentes no sertão nordestino, provavelmente pertence a idiomas de povos originários que, em grande parte, desapareceram ao longo da história do Grande Sertão brasileiro.

Palavras como Caratacá, Curundundum, Cocobocó, Quembrem-guenhem, Bendegó, Macururé e Massacará, entre tantas outras, fazem parte do vocabulário cotidiano de nossa região. Contudo, muitas delas não se encontram registradas em dicionários ou estudos linguísticos capazes de confirmar, com segurança, seus significados originais.

  WhatsApp

Independentemente do significado de cada uma dessas palavras, há nelas um aspecto extraordinário: sua sonoridade. A musicalidade presente nesses vocábulos sugere que os povos que os criaram utilizavam os próprios sons da fala como forma de expressão e comunicação. Talvez as primeiras manifestações musicais do sertão tenham surgido justamente dessa oralidade, do ritmo das palavras, da repetição dos sons e do diálogo permanente com a natureza.

Muito antes da chegada dos instrumentos musicais, a música já existia no canto dos pássaros, no soprar dos ventos sobre a caatinga, no murmúrio das águas, no caminhar dos animais e na voz dos primeiros habitantes desta terra.

A Mistura de Povos e o Nascimento da Música Sertaneja

Com a chegada dos colonizadores, especialmente dos vaqueiros oriundos das regiões ibéricas da Europa, novos sons passaram a habitar o sertão. Eles trouxeram consigo os aboios, herança de antigas tradições mouras, árabes, portuguesas e galegas.

O vaqueiro introduziu na caatinga um canto melancólico e ancestral que, ao encontrar os vocábulos indígenas e, mais tarde, as manifestações culturais dos povos africanos escravizados, produziu uma das mais belas sínteses culturais do Brasil.

Foi desse encontro entre diferentes povos que nasceu a música sertaneja do Nordeste: uma combinação de idiomas, aboios, rezas, cantos de trabalho, celebrações religiosas e manifestações populares que atravessaram gerações.

Muito antes da existência de bandas, orquestras ou conjuntos musicais, o sertão já cantava. Sua música estava presente na lida com o gado, nas coleitas, nas novenas, nos reisados, nas ladainhas, nas festas de santo, nas cantigas de roda e nas celebrações comunitárias que marcavam o cotidiano do povo sertanejo.

Foi sobre essa rica herança cultural que a história musical de Uauá começou a ser construída. E nos próximos capítulos contaremos como e quem fez parte dessa maravilhosa história.

Da redação

Por Robson Rodrigues

Em 8 de julho de 2026.

Viva os 100 anos de Uauá!